Ciência

NOAA declara início do El Niño e sul do Brasil entra em alerta para chuvas acima da média

Agência meteorológica americana confirmou oficialmente o fenômeno climático em junho de 2023, e o Paraná e Santa Catarina já se preparam para impactos significativos.

NOAA declara início do El Niño e sul do Brasil entra em alerta para chuvas acima da média
Foto: Tony Rojas / Pexels

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) confirmou oficialmente, em 11 de junho de 2023, o início do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico equatorial. A declaração, incorporada a uma nota técnica emitida pelo Sistema de Defesa Civil de Santa Catarina (SDC/SC), representa um marco importante para o planejamento climático de estados do sul do Brasil, que historicamente estão entre os mais afetados pelas oscilações associadas ao evento.

O que é o El Niño e por que ele importa

El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical. Esse aquecimento altera os padrões de circulação atmosférica em escala global, com consequências que variam conforme a região. No caso do sul do Brasil — especialmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, a presença do El Niño está historicamente associada ao aumento das precipitações acima da média, especialmente durante os meses de primavera e verão. O fenômeno pode durar entre nove e doze meses, e em alguns casos se estende por períodos ainda maiores, dependendo de sua intensidade.

Impactos esperados no Paraná e em Santa Catarina

Para o Paraná, estado cujo interior já convive com ciclos alternados de estiagem e enchentes, a confirmação do El Niño acende um sinal de atenção para prefeituras, órgãos de defesa civil e produtores rurais. Chuvas persistentes e volumosas aumentam o risco de alagamentos em áreas urbanas, deslizamentos de encostas em municípios serranos e prejuízos às lavouras de grãos nos momentos críticos de colheita. Em Santa Catarina — estado que faz fronteira com o Paraná ao sul e cuja Defesa Civil atualizou sua nota meteorológica com base no comunicado da NOAA —, regiões como o Vale do Itajaí e o litoral norte são historicamente vulneráveis a eventos de chuva intensa durante episódios de El Niño. A capital Florianópolis, por exemplo, fica a cerca de 300 km de Curitiba, capital do Paraná, o que ilustra a proximidade geográfica entre as duas áreas de impacto.

Como os órgãos públicos devem reagir

A identificação precoce do fenômeno permite que sistemas de alerta, planos de contingência e obras de drenagem sejam ativados ou acelerados antes que as condições climáticas se agravem. Defesas civis municipais e estaduais dispõem de um intervalo — normalmente de semanas a meses — entre a declaração do El Niño e a chegada dos seus efeitos mais intensos ao sul do país, o que torna esse período estratégico para a prevenção. Agricultores e cooperativas agropecuárias também podem usar as previsões sazonais para ajustar calendários de plantio e adotar técnicas de manejo que minimizem perdas por excesso de umidade no solo.

Contexto global e monitoramento contínuo

A NOAA monitora continuamente as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial por meio de boias oceânicas, satélites e modelos numéricos de previsão. A agência utiliza o índice ONI (Oceanic Niño Index) para classificar a intensidade do fenômeno — fraco, moderado, forte ou muito forte —, e atualizações são publicadas periodicamente ao longo do ciclo. O Brasil, por sua vez, conta com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para traduzir as projeções globais em alertas regionais e municipais. A integração entre esses sistemas e os órgãos estaduais, como o SDC/SC, é considerada fundamental para reduzir os danos socioeconômicos que episódios de El Niño intenso podem provocar em populações vulneráveis ao longo dos próximos meses.

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