Washington e Teerã sustentam versões opostas sobre negociação nuclear em curso
Impasse sobre o conteúdo das conversações preliminares ameaça rodadas mediadas pelo sultanato de Omã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente que o Irã apresentou uma versão distorcida dos termos debatidos em conversações nucleares preliminares entre os dois países. A declaração, feita em 2025, aprofundou a crise diplomática num momento em que negociações sobre o programa nuclear iraniano estavam em curso com a mediação do sultanato de Omã, no Oriente Médio.
A contradição entre as versões dos dois governos coloca sob risco o andamento das tratativas. O ponto central da divergência envolve o escopo das restrições ao programa de enriquecimento de urânio do Irã e as condições para o levantamento das sanções econômicas impostas pelos EUA, que afetam setores como a exportação de petróleo e o acesso iraniano ao sistema financeiro internacional.
Histórico das negociações nucleares
O programa nuclear iraniano esteve no centro das relações internacionais ao longo da última década. Em 2015, o Irã e as principais potências mundiais firmaram o JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global, na sigla em inglês), acordo pelo qual Teerã se comprometia a limitar suas atividades de enriquecimento de urânio em troca do levantamento de sanções econômicas. Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA retiraram-se unilateralmente do pacto, levando o Irã a retomar e ampliar progressivamente suas atividades nucleares.
Desde a saída norte-americana do acordo, o Irã elevou o grau de enriquecimento de urânio a patamares significativamente acima dos limites previstos no JCPOA. Relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organismo vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), documentaram concentrações de enriquecimento de até 60% — bem acima dos 3% a 5% necessários para geração de energia civil e abaixo dos mais de 90% exigidos para uso em armas nucleares.
Posições divergentes sobre o escopo do acordo
O governo iraniano sustenta que qualquer negociação deve se restringir ao tema nuclear e ser acompanhada de alívio imediato das sanções. Teerã rejeita incluir o programa de mísseis balísticos ou a política regional do país em eventuais acordos. Washington, por sua vez, defende um entendimento mais abrangente, que contemple essas dimensões além do nuclear — condição que o Irã considera inaceitável como pré-requisito para o diálogo.
A estratégia de pressão econômica máxima, adotada na primeira gestão Trump e retomada após o retorno do republicano à Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, visa ampliar o custo do impasse para a economia iraniana. As sanções incluem restrições ao comércio de petróleo, principal fonte de receita do país, e bloqueios ao acesso de bancos iranianos ao sistema financeiro global.
Papel de Omã como intermediário
O sultanato de Omã, país localizado na Península Arábica, historicamente desempenhou papel de intermediário nas relações entre Washington e Teerã. Foi por canais omanenses que se viabilizaram contatos diplomáticos anteriores, incluindo as tratativas que precederam o JCPOA de 2015. Em 2025, Omã voltou a atuar como facilitador em novas rodadas de conversações entre representantes dos dois governos.
A divergência pública sobre o conteúdo das negociações mais recentes — com cada parte sustentando uma versão diferente do que foi discutido — representa um obstáculo à continuidade do processo. Quando partes em conflito contradizem publicamente os termos de acordos preliminares, novas rodadas de esclarecimento costumam ser necessárias antes de qualquer avanço formal rumo a um texto definitivo.