Pesquisa da UFPR aponta termografia infravermelha como aliada na prevenção de lesões em atletas
Diferenças de temperatura superiores a 0,5°C entre lados do corpo podem sinalizar sobrecarga muscular antes que a lesão apareça
Uma pesquisa publicada em 2024 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) demonstrou que a termografia infravermelha é capaz de identificar variações de temperatura na pele de atletas associadas à sobrecarga muscular, permitindo intervenções preventivas antes do surgimento de lesões. O estudo analisou o histórico da tecnologia e suas aplicações no monitoramento de esportistas de alto rendimento, com foco no futebol.
O trabalho foi desenvolvido como conclusão de curso na graduação em Educação Física da UFPR por Felipe Cézar Bonifácio da Silva, sob orientação do professor Wagner de Campos. A pesquisa examina de que forma imagens térmicas obtidas por câmeras infravermelhas contribuem tanto para a preservação da saúde dos atletas quanto para a manutenção do desempenho esportivo em competições de alto nível.
Como a tecnologia funciona
A termografia opera por meio de câmeras infravermelhas que registram a temperatura da pele em tempo real. Quando um músculo está sobrecarregado ou passa por um processo inflamatório, o fluxo sanguíneo naquela região se altera, provocando elevação ou queda da temperatura local em relação ao restante do corpo. Na prática esportiva, profissionais comparam os dois lados do corpo do atleta: variações acima de aproximadamente 0,5°C podem indicar excesso de esforço e servem de alerta para que a comissão técnica ajuste a carga de treinamento ou conceda descanso ao jogador antes que uma lesão se estabeleça.
Origem e reconhecimento da termografia
A tecnologia surgiu por volta dos anos 1950 como ferramenta militar dos Estados Unidos, desenvolvida originalmente para detectar oponentes por meio do calor emitido por seus corpos. Em 1987, a American Medical Association (AMA) reconheceu a termografia como instrumento auxiliar de diagnóstico médico. Nas décadas seguintes, com a popularização das câmeras infravermelhas e o avanço da medicina esportiva, clubes de futebol passaram a incorporar a técnica progressivamente para acompanhar a condição física de atletas durante a temporada.
Uso combinado com outras tecnologias
O estudo aponta que a termografia não deve ser aplicada de forma isolada. O protocolo recomendado prevê o uso conjunto com outros recursos, como ultrassom e raio-x, além do acompanhamento das percepções relatadas pelos próprios atletas. Outro recurso integrado ao monitoramento é o teste de CK (Creatina Quinase), exame que mede a concentração dessa enzima no sangue. Quando ocorrem microlesões ou agressões ao tecido muscular, a CK é liberada na corrente sanguínea e seus níveis elevados indicam a intensidade do esforço ou do dano. A termografia complementa esse diagnóstico ao localizar com precisão onde o processo inflamatório está ocorrendo — informação que o exame de sangue, por si só, não é capaz de fornecer.
Contexto da pesquisa
O trabalho de Felipe Cézar Bonifácio da Silva integra a produção científica divulgada pela revista Ciência UFPR. A pesquisa se insere em um campo crescente de estudos que buscam aliar tecnologias de monitoramento ao planejamento de carga e à recuperação de atletas profissionais, área que ganhou relevância com o aumento da frequência de competições e a intensificação dos calendários esportivos nas últimas décadas.