UFPR detecta mais de 2 mil ovos do Aedes aegypti em campi de Curitiba
Estudo de cerca de um ano usa ovitrampas em 15 pontos para mapear o vetor e planejar medidas preventivas antes do verão de 2027
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) realiza, desde o início de 2026, um estudo de vigilância entomológica para rastrear a presença do mosquito Aedes aegypti — transmissor da dengue — em três de seus campi na cidade de Curitiba. A pesquisa mantém armadilhas para coleta de ovos do inseto em 15 pontos distribuídos pelos campi Centro Politécnico, Jardim Botânico e Ciências Agrárias, com encerramento previsto para o início de 2027.
Nas primeiras semanas de coleta, entre o fim de janeiro e o início de março de 2026, as armadilhas acumularam mais de 2 mil ovos do Aedes aegypti. O projeto é financiado pelo Edital de Sustentabilidade 18/2025 da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da UFPR (PRPI-UFPR) e é conduzido pelo mestrando Lucas Neris, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, com orientação da professora Magda Costa-Ribeiro, pesquisadora do Laboratório de Insetos Vetores e Parasitos do Departamento de Patologia Básica.
Como funciona o monitoramento
O método de coleta emprega armadilhas denominadas ovitrampas. Nesses dispositivos, as fêmeas do Aedes aegypti depositam ovos sobre fragmentos de madeira, o que viabiliza a contagem por ponto e por campus. As armadilhas são verificadas duas vezes por semana, com troca periódica da água e da madeira. O material coletado passa por processo de eclosão em laboratório para obtenção de mosquitos adultos, os quais são submetidos a análise virômica — técnica voltada à detecção de vírus presentes nos insetos. A distribuição dos pontos de monitoramento levou em conta a alta concentração de estudantes e servidores nos três campi selecionados.
O acompanhamento contínuo dos dados vai possibilitar, ao término do estudo, traçar o padrão de distribuição do vetor nos espaços da universidade e identificar os locais com maior potencial de proliferação do mosquito.
Origem da iniciativa
O projeto foi motivado pelo crescimento expressivo de casos de dengue registrado em Curitiba em 2024 e por registros da presença do Aedes aegypti no campus Centro Politécnico. A hipótese que fundamenta a pesquisa é que integrantes da comunidade acadêmica, por permanecerem longos períodos nos campi, possam contrair a doença dentro dos próprios espaços da universidade. A iniciativa conta ainda com o apoio da Coordenadoria de Atenção Integral à Saúde do Estudante (Caise), vinculada à Pró-Reitoria de Pertencimento e Políticas de Permanência Estudantil (P4E).
Campanha de orientação prevista para 2027
Além do monitoramento entomológico, o projeto contempla ações educativas voltadas à comunidade acadêmica antes do verão de 2027. Estão previstos a distribuição de material informativo em todos os campi, com orientações sobre sintomas da dengue, formas de prevenção e como buscar atendimento diante de suspeita da doença, além da mobilização da comunidade para localizar possíveis criadouros do mosquito nos espaços da UFPR. Os casos suspeitos poderão ser acolhidos pela Casa 1, unidade da universidade com equipe preparada para esse tipo de atendimento.
Ao final do período de monitoramento, os dados produzidos pelo estudo devem subsidiar a identificação de padrões de circulação do Aedes aegypti nos campi e orientar a adoção de medidas para conter a proliferação do inseto e reduzir o risco de transmissão do vírus da dengue no ambiente universitário.