Paraná

Animais migratórios marinhos intensificam presença no litoral do Paraná

Pinguins, lobos-marinhos e baleias chegam à costa paranaense a partir de maio; equipe da UFPR monitora encalhes diariamente e pede que população não manipule os animais

Animais migratórios marinhos intensificam presença no litoral do Paraná
Foto: Max Parada Valdivia / Pexels

O litoral do Paraná registra, a partir de maio e junho de cada ano, o aumento na presença de animais marinhos migratórios que utilizam a costa do estado durante seus deslocamentos sazonais. Com a aproximação do inverno e a chegada de frentes frias ao sul do Brasil, espécies como o pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), o petrel-gigante (Macronectes giganteus), os lobos-marinhos (Arctocephalus australis e Arctocephalus tropicalis), a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e a baleia-franca (Eubalaena australis) — vindas do sul, norte e leste — percorrem a costa paranaense durante seus ciclos reprodutivos e de alimentação.

Embora as ocorrências sejam naturais e esperadas para a estação, parte dos animais chega à orla em condições de debilidade, com sinais de exaustão ou marcas de interação com atividades humanas. Diante desse cenário, o Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no estado, intensifica o monitoramento contínuo das praias paranaenses nesse período do ano.

Impactos sobre as espécies migratórias

Diversas espécies observadas nessa época estão classificadas como ameaçadas de extinção. A migração é um processo biológico que permite aos animais buscar, em determinadas épocas, áreas de alimentação, reprodução e desenvolvimento mais adequadas. Fatores como mudanças climáticas, sobrepesca, escassez de alimento, poluição e perda de habitats, além do contato com atividades humanas, podem interferir tanto na saúde quanto nos trajetos percorridos por esses animais. Os encalhes registrados ao longo da costa fornecem dados que auxiliam pesquisadores a compreender o comportamento dessas populações e a identificar ameaças à sua conservação.

No plano internacional, o Brasil é signatário da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), considerada o principal acordo global voltado à proteção dessas populações. Em 2026, o país sediou uma reunião da convenção em que foram firmadas e reforçadas resoluções de conservação com foco nessas espécies.

Monitoramento e reabilitação

A equipe multidisciplinar do PMP-BS/LEC-UFPR percorre diariamente as praias do litoral paranaense para registrar ocorrências com animais vivos, debilitados ou mortos. Os que necessitam de cuidados são encaminhados ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD) da UFPR, onde passam por avaliação clínica, exames laboratoriais, suporte nutricional e tratamentos específicos, com acompanhamento contínuo até que estejam aptos a retornar ao ambiente marinho. As informações geradas durante os atendimentos também integram pesquisas sobre a biodiversidade marinha ao longo da costa brasileira.

Orientações para a população

A participação de moradores, pescadores e turistas é apontada como fundamental para o atendimento adequado dos animais encontrados nas praias. Com frequência, os primeiros alertas sobre encalhes partem de pessoas que identificam os animais na orla e acionam a equipe especializada. A orientação é que nenhum animal marinho encontrado na praia — vivo ou morto — seja tocado, manipulado ou devolvido ao mar. Oferecer água ou alimento também pode agravar o estado do animal e comprometer o resgate. A recomendação é manter distância segura, afastar cães e outros animais domésticos, evitar aglomerações e ruídos excessivos, e acionar imediatamente a equipe de atendimento.

Os contatos para acionamento no Paraná são o número gratuito 0800 642 33 41 e o telefone (41) 99213-8746. O chamado rápido aumenta as chances de recuperação dos animais e contribui para a geração de dados sobre a biodiversidade marinha.

Sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para as atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural da Petrobras na Bacia de Santos. No Paraná, identificado como Trecho 6, a execução do projeto fica a cargo do LEC/UFPR.

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