Mundo

Atas contestadas no Peru mostram vantagem de Fujimori, diz imprensa

Documentos eleitorais pendentes de validação eram potencialmente decisivos em disputa com margem inferior a 0,5 ponto percentual

Atas contestadas no Peru mostram vantagem de Fujimori, diz imprensa
Foto: Alberto Capparelli / Pexels

Atas eleitorais contestadas e ainda pendentes de validação oficial na eleição presidencial do Peru registravam mais votos para Keiko Fujimori, candidata da Fuerza Popular, do que para Pedro Castillo, do Perú Libre, conforme reportagem da imprensa local. O segundo turno da disputa foi realizado em 6 de junho de 2021 e produziu o resultado mais apertado da história política recente do país andino.

A diferença entre os dois candidatos na apuração geral era inferior a meio ponto percentual, tornando as atas questionadas — documentos físicos que registram os votos computados em cada mesa de votação — potencialmente determinantes para a definição do resultado final. Castillo sustentava leve vantagem no cômputo consolidado, mas o volume de impugnações protocoladas pela equipe de Fujimori mantinha o desfecho em aberto.

Como funciona a disputa sobre os documentos

No sistema eleitoral peruano, as atas podem ser formalmente contestadas por candidatos ou partidos perante o Jurado Nacional de Elecciones (JNE) — o tribunal eleitoral do país — e o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), órgão responsável pela apuração dos votos. A campanha de Fujimori protocolou centenas de pedidos de anulação de atas, alegando irregularidades no registro e na contagem de votos em diferentes regiões do território. A análise individual de cada impugnação pelos órgãos competentes prolongou o período de incerteza por várias semanas após a data da votação.

A informação de que as atas pendentes tendiam a concentrar maior volume de votos para Fujimori intensificou a pressão política sobre as autoridades eleitorais. O processo passou a ser acompanhado por observadores nacionais e internacionais, que monitoravam tanto o ritmo quanto os critérios adotados na análise das contestações.

Perfil dos candidatos e contexto da eleição

O segundo turno de 2021 opôs perfis políticos marcadamente distintos. Castillo, professor da rede pública e ex-líder sindical, defendia reformas estruturais na economia e a convocação de uma nova assembleia constituinte. Fujimori, que havia concorrido à presidência também em 2011 e 2016 — perdendo ambas as disputas no segundo turno —, propunha manutenção do modelo econômico vigente. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a penas de prisão por corrupção e violações de direitos humanos.

Ao término da apuração e da análise das contestações pelos órgãos eleitorais, Pedro Castillo foi proclamado presidente do Peru em julho de 2021, com vantagem de aproximadamente 44 mil votos sobre Fujimori — margem de cerca de 0,25 ponto percentual sobre um total superior a 17 milhões de votos válidos. A extensão do intervalo entre a votação e a proclamação oficial refletiu a quantidade de impugnações que precisaram ser examinadas individualmente.

A eleição se desenvolveu em um contexto de instabilidade institucional marcante no Peru. Nos anos anteriores a 2021, o país passou por sucessivos processos de impedimento e renúncias presidenciais, o que tornou o pleito de junho daquele ano objeto de atenção especial de organismos internacionais e analistas políticos da região.

PeruKeiko FujimoriPedro Castilloatas eleitoraiseleição presidencialsegundo turno