Paraná

Unicentro debate formação docente e diversidade em roda de conversa no câmpus de Irati

Evento reuniu professores e estudantes de Pedagogia, História e Letras durante o mês do Orgulho LGBTQIA+

Unicentro debate formação docente e diversidade em roda de conversa no câmpus de Irati
Foto: Aleksander Dumała / Pexels

Uma roda de conversa realizada na quarta-feira (17) no Câmpus de Irati da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) reuniu docentes e estudantes dos cursos de Pedagogia, História e Letras para debater os desafios de formar professores aptos a valorizar e proteger a diversidade no ambiente escolar. O encontro abordou questões ligadas à polarização política, à violência de gênero e ao papel da educação básica na prevenção de violências contra grupos minoritários.

O evento foi organizado pelo Núcleo de Estudos de Gênero, Espaços Simbólicos e História (Negesh) e pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Unicentro. A convidada foi a professora Dayana Brunetto, do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ex-coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

Polarização e desafios para o magistério

Durante o debate, foram discutidos os efeitos do que os organizadores descrevem como um contexto de pânico moral, no qual mulheres, feministas, pessoas LGBTQIA+, negras, indígenas e com deficiência figuram como alvos preferenciais de ataques. O cenário foi analisado também sob a perspectiva da pós-verdade, fenômeno em que apelos emocionais e crenças comuns tendem a superar fatos, evidências e estatísticas na formação da opinião pública. Nesse quadro, o magistério enfrenta o desafio de transmitir conteúdos curriculares ao mesmo tempo em que promove o respeito à diversidade dentro da sala de aula.

A discussão apontou consequências concretas desse ambiente para a segurança de estudantes vulneráveis. O argumento central defendido no encontro é que a retirada do debate sobre gênero das escolas compromete um dos poucos espaços onde crianças em situação de abuso podem buscar ajuda ou realizar denúncias. A violência contra mulheres — incluindo feminicídios, lesbocídios e transfeminicídios — foi caracterizada como uma epidemia no Brasil, com a educação ocupando papel central nas estratégias de prevenção.

Contexto do evento e disciplina obrigatória

A roda de conversa aconteceu no mês do Orgulho LGBTQIA+ e integrou as atividades da disciplina setorial de Cultura e Diversidade. Essa disciplina é prevista pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) para os cursos de licenciatura como espaço de debate sobre diversidade e relações étnico-raciais, sendo obrigatória na formação de futuros professores.

A professora Nadia Maria Guariza, organizadora do evento, defendeu a relevância do tema no âmbito da formação docente, argumentando que tanto a violência de gênero quanto o convívio com diferentes identidades sexuais e de gênero são questões que se impõem no cotidiano das escolas brasileiras. O registro fotográfico do encontro foi disponibilizado no Banco de Imagens da Unicentro.

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